MERRY CHRISTMAS BIG BROTHER
Numa altura em que os jornalistas andam histéricos porque a partir do início do ano a lei os vai proibir de poluir os restaurante a bel-prazer, nenhum deles estranha uma outra alteração de consequências imprevisíveis. A partir de 1 de Janeiro as companhias de telecomunicações vão guardar e pôr à disposição de quem as souber recolher, as informações sobre as nossas comunicações e navegação pela internet. Num país dominado pela pequena corrupção de polícias, funcionários de tribunal e "serviços de informação" a soldo dos governos, não parece chatear ninguém que esta gente toda possa vasculhar no mais ínfimo dos nossos movimentos. A coberto da terrível necessidade de nos salvar de terroristas e de criminosos de toda a espécie, vai ser possível saber tudo: com quem falámos, durante quanto tempo, se visitámos o site dos amigos do Zoológico ou o Bigbreasts.com. Tudo. Claro que a lei "protege" o cidadão, baseado sobretudo na ideia que "quem não deve, não teme". Mas quando sabemos que milhares de pessoas já estão debaixo de escuta sem qualquer ordem judicial, que aqueles que recebem um salário para nos proteger ganham a vida a vender aos jornais as conversas das estrelitas do jet-set; os mesmos que fazem manifestações com cartazes com a figura do primeiro-ministro e a frase "Filho da Puta Mentiroso", teme-se o pior. O problema nunca é a bondade de uma lei, mas sim o uso que milhares de parasitas aguardam para lhe dar.
Isso, jornalistas, chateiem-se com o fim da tabacaria, quando os mais conhecidos de entre vocês virem os nomes escarrapachados nas publicações da concorrência debaixo de insinuações iníquas, vão perceber do que estou a falar.
Mas que digo eu? Algum deles lê isto? Não, está tudo a ler as publicações norte-americanas, a cena "trend", a meditar sobre a última atoarda de Santana Lopes, o-do-cabelo-lambido-por-um-cão.
Abrir os olhos para quê, quando se está tão habituado a correr à volta da cauda?